Chuva (Simbologia)

A qualidade da compaixão não se força, não comporta compulsão,

Cai, gota a gota como a suave e benéfica chuva do céu,

É duas vezes abençoada, por isso enaltece quem dá e quem recebe,

Sobre o lugar que está abaixo.

Mercador de Veneza, Shakespeare

O elemento líquido que depende quase toda a vida, a tão importante água, desce à terra em gotas suaves ou tempestades torrenciais.

A chuva é tida como uma milagrosa visita do poder celestial, natural e imensa, necessária e temida, que limpa, libera, dissolve, inunda, alivia e é doce. Ela acelera o crescimento, mas por outro lado pode ser avassaladora e causar desastres.

Para muitos povos originários a chuva, com seus poderes celestiais quando cai na terra sinaliza o casamento sagrado (céu e terra) para promover fertilidade e abundância. Ela representaria então o dom da graça, da compaixão.

Automaticamente quando chove buscamos abrigo e proteção, assim sendo, pode também apontar que a chuva nos leva ao mundo da introspecção. Ainda como símbolo e metáfora, a chuva nos transporta, como mencionado anteriormente, aos recantos psíquicos mais secretos que pode residir desde a melancolia até a sabedoria.

Quem nunca teve grandes descobertas interiores numa tarde chuvosa? Ainda há quem queira descansar, dormir, ler, ver um filme ou ler um bom livro ouvindo o gotejar no telhado ou na janela… Há quem pense nos amores… De todas as formas ela nos enreda para o nosso mundo interior com propósitos claros: a arte de descobrir o que está dentro de nós e que precisa de acolhimento, entender nossas tristezas e desacertos, contatar o corpo para rever as necessidades e a tão significativa pausa para o descanso.

Comentando todavia sobre as sinalizações da chuva (excesso ou ausência dela), os povos ancestrais deixaram registros (inclusive arqueológicos) de como venerá-la, seja com cantos, danças ou oferendas em forma de alimentos, artefatos e orações. Sim, ela é muito importante, é essencial! O excesso é motivo de medo. Sua ausência é causa de tristeza e angústia e sua suave presença traz alegrias e esperança.

E claro, não se pode esquecer do importante lembrete/mensagem: há que respeitar a Natureza, e de uma vez por todas entender que a ela, a Chuva é um fenômeno da Natureza. Na grande maioria das vezes a força dela é muito mais poderosa, não a podemos controlar. Somos pequenos diante da Criação e somos grandes diante da Criação quando a respeitamos.

Livro consultado: EL LIBRO DE LOS SÍMBOLOS – Reflexiones sobre las imágenes arquetípicas, Editora Taschen

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