Zeus/Gregos – Júpiter/Romanos – Origens

Zeus é o supremo soberano do Olimpo, o senhor do mundo e o pai comum dos homens e dos Deuses. O Céu e a Terra estão submetidos ao seu cetro; e desde o mais tenro raminho de relva até a mais ágil águia, tudo depende de um aceno de sua cabeça.

Por Desconhecido, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=913510

Reinando no Olimpo é o chefe do exército das nuvens, e manifesta no Céu radioso ou tempestuoso sua grandeza sucessivamente benfazeja ou terrível. É do Céu, com efeito, que parecem descer nossas esperanças e nossas apreensões. Também, todos os prodígios diversos, que o curso variável dos dias aí faz aparecer, está na dependência do mais grandioso dos Deuses.

Por stefg74 from Larisa, Greece – MYTIKAS, CC BY 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=24708474

Quando o azul brilhante do céu da Grécia (e por que não de toda a Terra?) resplandece na claridade de uma manhã transparente, é o próprio Zeus, o augusto pai do esplendor celeste, que aí se mostra em sua luz pura. Quando chove, é o próprio Zeus que chove; quando neva, é ainda Zeus quem recobre a Terra de um branco manto de arminho. As noites, como os dias, obedecem às suas ordens.

Foto por Brett Sayles em Pexels.com

Mas, se ele pode, a seu bel-prazer, apaziguar os Céus, aliviar a atmosfera, dissipar as nuvens, fazer brilhar o arco-íris, e enviar sobre o mar os ventos propícios aos navios, é sobretudo quando desencadeia a tempestade ou a borrasca que se supôe que Zeus manifesta ainda mais o seu abrangente e supremo poder.

Deus das nuvens sombrias e carregadas, ele amonta, então, as nuvens opacas no éter escurecido, desencadea o sopro dos furacões destruidores, ergue as inacreditáveis ondas do mar e revolve as areias dos caminhos, como dardos, sobre os picos as flechas do relâmpago, ele transpassa as nuvens para abrir e esvaziar as bolsas de suas águas, e faz ressoar, das alturas do Céu até o fundo dos vales, o barulho retumbante e prolongado do trovão. Eis por que Zeus é chamado o Deus que se compraz em fazer nascer o clarão do relâmpago, o Deus que vibra nas alturas do Céu, o ajuntador de nuvens que a torrente bramidora e temerosa de seus fogos rola nos Céus.

Foto por Johannes Plenio em Pexels.com

Mas para que serve o raio, aquele dardo inflamado, nas mãos de Zeus? Fere ele os cimos das montanhas ou as altas moradas simplesmente para amedrontar os mortais e manifestar-lhes seu tirânico poder? Não. Zeus, esse Deus de trono elevado, é, realmente, um monarca que guiava a Justiça.

Se dispõe, como senhor, das tempestades, das chuvas e dos belos dias, reina de maneira equitativa sobre os homens. Embora seus conselhos fossem impenetráveis (por vezes impossíveis de compreender) e suas decisões, irrevogáveis, tudo quanto pensa e quer, é desejado e pensado por uma infalível e prudente sabedoria.

Sua providência estende-se dos mais poderosos aos mais humildes mortais e os que usam o cetro de rei inadvertidamente não valem, para ele, mais que os mendigos.

Zeus, supremo árbitro da justiça eterna, possui, contudo, pai e mãe. Seu pai Cronos (Tempo) e Réia (Fluxo).

Não era por ele ter nascido real e verdadeiramente, — pois Zeus é o eterno existente, o primeiro de todos os seres, começo e fim de todas as coisas — que os poetas narram o seu nascimento. Mas, conceber esse Deus em todo o esplendor de sua glória, era-lhes tão impossível quanto fixar o disco ofuseante do Sol, e por isso os poetas emprestaram-lhe um corpo e imaginaram-no sob a aparência de um homem bastante poderoso e muito belo. Idealizaram a vida feliz de sua eternidade como uma imagem ampliada da vida sobre a Terra. E, para exprimir sua imperceptível natureza, explicar sua ação contínua no mundo, inventaram inúmeras legendas e o submeteram às vicissitudes das condições humanas.

Assim, para fazer compreender que Zeus é eterno, os poetas nos diziam que o Deus do raio era filho de Crono, isto é, da potência criadora e destruidora do Tempo. Sua mãe, Réia, era uma Deusa que presidia também ao vagaroso escoamento que transforma os séculos. Réia, durante o longo curso das idades, punha no mundo inumeráveis filhos. Mas as crianças, apenas colocadas nos joelhos do pai, eram por este devoradas. O Tempo, com efeito, devora todas as coisas, não cessa de destruir tudo quanto acaba de criar.

(Curiosidade astronômica: A estrela HD 240430 foi apelidada de “Cronos” em 2017 quando se soube que ela engoliu seus planetas. )

Essa fome de destruição, entretanto, devia ter um fim. De Réia, dissera um oráculo, devia nascer uma criança que reinaria como senhor sobre o mundo, manteria o Universo em sua integridade e destronaria seu pai destruidor. Por não ter mais o que chorar, sucumbida por uma dor sem limites, a devoração desse novo filho, Réia, desde que o sentiu estremecer em seu seio, desceu secretamente do Céu e dirigiu-se, primeiro, a um vale profundo. Aí, oculta no mais espesso de um cerrado, pôs no mundo o Deus que foi chamado Zeus.

Por Numérisation Google – Galerie mythologique, tome 1 d’A.L. Millin, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=4405095

Acima: Réia entregando uma pedra no lugar do recém-nascido Zeus, pois Cronos engolia todos os seus filhos, por medo da profecia do Oráculo, que afirmava que um de seus filhos o destronaria. Sim, Cronos (Tempo) devora tudo, até pedra! Devorava todos os seus filhos por temor à sucessão.

Depois, como procurasse uma água clara e corrente para lavar o recém-nascido e como
por toda a parte, a seu redor, a Terra fosse árida e seca, a venerável Deusa, desesperada e morta de sede, ajoelhouse e suplicou à Terra acolhedora:
— Ó Terra, mãe e amiga, dá à luz, tu também; teus partos são fáceis!

Assim orou; depois, levantando o braço, bateu na rocha com o cetro. A pedra fendeu-se e uma fonte límpida e fresca brotou. A soberana Deusa banhou o filho, purificou-o, envolveu-o em cueiros e confiou-o a uma Ninfa para levá-lo à grande ilha de Creta e aí o esconder numa gruta secreta.

Profunda e larga era essa caverna. Uma floresta compacta ocultava a sua entrada e uma hera cerrada atapetava-lhe as paredes. Assim que o gracioso recém-nascido entrou nesse antro sagrado, as Ninfas que o habitavam receberam-no em seus braços. Deitaram-no num berço dourado. Uma cabra, Ameltéia, deu-lhe leite puro e serviu-lhe de ama-de-leite. As abelhas destilaram para ele um doce mel.

Foto por Archana GS em Pexels.com

As vezes, também as pombas, vindas das extremidades longínquas do Oceano, traziam-lhe a ambrosia, e uma grande águia, colhendo o néctar numa fonte divina, oferecia-lhe a beberagem da imortalidade. Para distrair o futuro soberano do Olimpo, uma jovem Ninfa, Adrastéia, presenteou-o com um maravilhoso brinquedo.

Esse brinquedo era uma bola furada, formada de círculos de ouro, entre os quais uma hera cinzelada serpenteava. Quando a criança choramingava, Adrastéia lançava para o alto, como uma bala, o brinquedo luminoso, e a bola furada tornava a cair, traçando um longo sulco dourado. Zeus ria. Mas, quando seus gritos e seu pranto se tornavam mais agudos, então, a seu redor, as Coribantes ou as Curetas, servidoras de sua augusta mãe, dançavam. Colocavam por cima do berço seus broquéis de bronze; e para marcar a cadência rápida dos passos, batiam neles com suas curtas espadas. O ruído dos broquéis abafava os gritos do recém-nascido, e seu pai, Cronos, não podia, assim, adivinhar o esconderijo em que se ocultava a criança que ele acreditara devorar, engolindo uma pedra. Sim, Cronos (Tempo) devora tudo, até pedra.

Nesse meio tempo o jovem Deus crescia em inteligência e em força. Apenas começava a andar e seu pensamento não era mais da sua idade. Para encantar os jogos daquele cuja mão governaria o relâmpago, os Ciclopes forjaram-lhe setas de raio e Zeus, desde a tenra infância, comprazia-se em lançar os dardos ofuscantes que guiam o trovão.

Um dia, ele brincava com a cabra Amaltéia, sua mãe-deleite, tentando jogá-la por terra, e aconteceu fazê-la bater contra uma árvore e partir-lhe um dos belos cornos. A Ninfa Melissa tratou dela e pensou a cabeça machucada da ama divina. Para recompensá-la, o filho de Crono apanhou do chão esse corno, conferiu-lhe virtudes maravilhosas e fez presente dele à Ninfa de coração compassivo. Desde aquele dia, o corno foi chamado de
Cornucópia da Abundância, porque, com um simples desejo, ele se enchia de toda espécie de bens.

Por Cesare Ripa – “Abbondanza”, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=17072888

Quando uma tênue penugem floriu, como um colar de ouro brunido, nas faces do filho de Réia, e a idade fez dele um belo adolescente.

Então, Zeus destronou o pai e reinou, em seu lugar, daí por diante, sobre o mundo.

Por Antoine Chrysostome Quatremère de Quincy – Kansalliskirjasto, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=9836045

Fonte:

NOVA MITOLOGIA CLÁSSICA
A Legenda Dourada – História dos Deuses e Heróis da Antiguidade, por Mario Meunier, editora Ibrasa, 8ª Edição.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: