Abelha

Há mais de 25 000 espécies de abelhas conhecidas em sete famílias biológicas reconhecidas e possivelmente surgiram bem antes do Homem (mais ou menos 80 milhões de anos!). São insetos voadores e aparentados com formigas e vespas. Batem suas asas 180 vezes por segundo, voa cerca de 25 km/h, visitam milhares e milhares de flores para produzir um litro de mel… Elas são encontradas em todos os continentes, exceto a Antártida, em todos os habitats do planeta onde existam plantas de flores polinizadas por insetos. As abelhas são os únicos insetos que produzem alimentos que são consumidos pelos humanos. Sem elas, teremos graves e grandes problemas climáticos, ecológicos, nutricionais… Não é a toa que Angelina Jolie fez um ensaio fotográfico para a revista National Geographic com o propósito de chamar a atenção para protegê-las e apoiar o projeto Woman for Bees.

Foto por Ion Ceban @ionelceban em Pexels.com

Os insetos prestam um serviço ecossistêmico essencial para a biodiversidade, por polinizar não apenas as culturas agrícolas como também as plantas silvestres. Estima-se que 35% da produção agrícola global, bem como 85% das plantas selvagens dependam, em algum grau, da polinização. Entre os polinizadores, as abelhas são os mais importantes e mais eficientes agentes.

Os estudos da inteligência em abelhas têm demonstrado, assim como outros insetos, que tais animais são dotados de um aparato cognitivo capaz de lhes propiciar diversas ações que podem ser compreendidas como sinais de inteligência, impressionando os cientistas.

Algumas espécies podem sobrevoar, em média, até 40 flores por dia; a abelha rainha pode viver até dois anos, já as operárias por volta de 2 meses.

Foto por Hiu1ebfu Hou00e0ng em Pexels.com

Na linguagem metafórica dos dervixes, a abelha representa o próprio dervixe e o mel é a divina realidade (Hak) por ele buscada.

Da mesma maneira, em certos textos da Índia a abelha representa o espírito que se embriaga com o pólen do conhecimento.

Personagem de fábula para os sudaneses e para os habitantes situados dentro da curva do rio Níger, a abelha é símbolo da realeza, muito antes de ser glorificada pelo Primeiro Império Francês. Esse simbolismo da realeza ou do império é solar, tal como atesta o antigo Egito, por um lado associado ao raio e por outro, declarando que a abelha teria nascido das lágrimas de Rá, o deus do Sol, ao caírem sobre a Terra.

Símbolo da alma, a abelha é por vezes identificada com Deméter na religião grega, em que pode simbolizar a alma descida aos infernos; ou então, ao contrário, materializar a alma saindo do corpo. Pode-se reecontrá-la na Caxemira (ìndia) e em Bengala (sul da Ásia), em numerosas tradições indígenas da América do Sul, como também na Ásia Central e na Sibéria.

Platão afirma que as almas dos homens austeros reencarnavam sob a forma de abelha e há quem afirme que Pitágoras alimentava-se fartamente de mel.

Figuração da alma e do verbo – em hebraico o nome da abelha – Dbure – vem da raiz Dbr, palavra. Logo, é normal que a abelha desempenhe também um papel iniciático e litúrgico. Em Elêusis e Éfeso, as sacerdotisas são chamadas de abelhas.

São encontradas também representadas em túmulos como um símbolo de sobrevivência além-morte, pois a abelha torna-se então, símbolo de ressurreição.

A abelha representa ainda, a eloquência, a poesia e a inteligência. A lenda sobre Píndaro e Platão (a abelha teria pousado sobre os lábios de ambos, ainda quando bebês no berço) é repetida com Ambrósio de Milão (santo): as abelhas roçaram seus lábios e penetraram na sua boca. Já para Virgílio as abelham encerram em si uma parte da Divina Inteligência.

Por vezes Cristo vem associado com o simbolismo da abelha – o labor diário em nome da exaltação de Deus e a doçura (mel) advindas do poder de conexão com o Pai.

Dizem que os celtas desfrutavam muito do famoso hidromel (um tipo de vinho feito a partir da fermentação do mel) e lhes conferia “imortalidade” e sabedoria.

Foto por Archana GS em Pexels.com

Em algumas tradições chinesas o mel está relacionado com o elemento Terra e a noção do Centro.

O mel é símbolo de fecundação, riqueza, doçura, despertar iniciático… O mel vem diferenciar e serve para exaltar – quase como adjetivo! A palavra mel parece na Bíblia mais de 500 vezes!

Foto por Skitterphoto em Pexels.com

A elaboração do mel é um ofício que implica a criação de todo um mundo e sua essência consiste num processamento do cálido alquímico que começa em algum lugar profundo da interação do Sol e da flor, onde se forma o néctar e o pólen e continua graças a abelha tão amante do Sol, que os recolhe consome, digere e metaboliza em seu corpo e os faz espesso com as sua batidas de asas até a consumação total. Para os antigos egípcios, que ficaram conhececidos como os primeiros apicultores, a abelha era a criatura que transformava a calidez dos raios solares no doce dourado.

Fontes: Dicionário de Símbolos – Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, Editora José Olympio; Wikipedia; https://abelha.org.br/ ; CONHECENDO AS ABELHAS, Prof. Breno Magalhães Freitas; https://ciclovivo.com.br/planeta/meio-ambiente/10-fatos-sobre-abelhas-que-talvez-voce-nao-saiba/ ; El libro de los símbolos, Editorial Taschen.

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